A surpresa! – tópico 3


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Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo (1 Pedro 5.8-9).

Estes versículos carregam uma advertência e enfatizam que o ataque de Satanás vem sobre aqueles que foram comprados e lavados pelo sangue de Jesus. Não apenas isso, mas também mostram que o sofrimento é uma consequência desse ataque maligno. Da mesma maneira que Jó, às vezes, identificamos de modo equivocado a origem da dor ao assumirmos automaticamente que Deus nos aflige, quando possivelmente a mesma tenha a sua origem em Satanás. Tiago 1:13, nos informa claramente que, assim como Deus pode permitir e até usar a prova para cumprir Seus objetivos, a origem do mal não provém Dele, senão vejamos: “Ninguém, ao ser tentado diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” Neste versículo, Tiago usou quatro vezes o termo grego peirasmos (que comentamos no tópico anterior), para indicar que não é Deus a fonte das tentações que levam ao pecado, ao fracasso ou, até mesmo, a nos distanciar d’Ele. Todavia, as Escrituras nos falam reiteradamente de “um” que sempre nos tenta com vistas ao nosso fracasso e à nossa queda. Por exemplo, Mateus 4:3 descreve o diabo como “o tentador”, usando uma forma de peirasmos ao dar uma descrição adequada de seu caráter e atividade. Por sua proximidade de Jesus, Pedro sabia que semelhantes ataques satânicos não estavam reservados para os mais maduros espiritualmente ou àqueles que se sentiam preparados para recebe-los.

De fato, quando alguém ouve o evangelho, o diabo começa com suas provas sinistras. Na parábola do semeador, em Lucas 8.13, Jesus descreveu o terreno rochoso como aqueles que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação (peirasmos), se desviam. É bom notar o verso 8 onde Pedro destaca que o “diabo é como um leão que ruge, e anda em derredor buscando alguém para devorar.” O apóstolo leva a sério o fato do adversário andar em “derredor”. Paulo também caminha na mesma direção ao apontar a oração como um dos componentes da armadura espiritual que Deus deu aos cristãos (Efésios 6.18). Se Pedro houvesse lido isso, teria dado um amém com bastante entusiasmo. Ele havia estado presente quando Jesus ensinou a oração modelo do Pai nosso: “e não nos deixes cair em tentação [peirasmos], mas livra-nos do mal”, ou literalmente “do maligno” (Mateus 6.13). Nós, filhos do Altíssimo, deveríamos estar atentos em oração para que as tentações do tipo peirasmos não nos vençam. Mesmo sendo impossível evitar as provas, você pode, no entanto, responder corretamente a elas e, em verdade, modificar suas consequências.

Um dos motivos pelos quais não podemos evitar essas provas, é que Deus, em Seu plano soberano e por razões que desconhecemos, às vezes, permite que Satanás desfira seus ataques com as provas peirasmos. Foi assim com Jó e também com Jesus. Em Mateus 4.1, o Espírito Santo levou Jesus ao deserto para ser tentado pelo diabo. Como era de se esperar, Mateus usa a forma de peirasmos para descrever a tentação do diabo a Jesus. As provas mais severas sofridas por Cristo, foram aquelas no deserto e também no Getsêmani e no Calvário. Lucas, porém, revela que o Senhor foi objeto de tentação satânica durante toda a sua vida, especialmente nos anos de seu ministério terreno (Lucas 22.28). Apenas um erro, uma resposta carnal, ou uma única vez que houvesse abusado de seu poder, ou ainda um só ato egoísta, ou até mesmo qualquer reação inapropriada à uma prova peirasmos, haveria manchado o nosso Cordeiro e desqualificado o nosso Salvador. Getsêmani e o Calvário são magníficas demonstrações do amor e da majestade de Jesus. Elas excedem de tal modo a nossa compreensão humana, que somos capazes de reconhecer com maior facilidade a criação de Deus, do que a profundidade do amor que Ele demonstrou na cruz. Ao olhar para as tentações e sofrimentos de Jesus como nos sentimos?

Finalizando, gostaria que você tomasse consciência de uma realidade: quando os ataques “peirasmos” nos assediam e nos fazem sofrer, podemos compreender com maior clareza nossas limitações, nossas debilidades, e a necessidade da graça generosa de Deus. Olhamos para nós mesmos e constatamos com que facilidade tropeçamos e caímos ao passar por apenas uma milésima parte do que Jesus suportou. Se você é um verdadeiro seguidor de Jesus, a aflição não o impedirá de ser um adorador agradecido, pelo contrário, ela o levará a um nível de maior intimidade com o Salvador. Pense sobre isso! Continuamos no próximo post…

Em Cristo Jesus, o Senhor da glória,

Pr. Natanael Gonçalves

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