As Pegadas – Tópico 5


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Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros (João 13.34-35).

Jesus seguiu ensinando aos discípulos acerca do amor que eles deveriam mostrar ao mundo, porém, a essa altura, a mente de Pedro já estava cerrada. O amor aos outros, neste momento, não entrava em seus pensamentos. Pedro fez duas perguntas: a inicial, para clarificar algo; porém a segunda, nascida em seu coração foi: “Senhor, para onde vais”? (João 13:36). Em sua primeira resposta, Jesus incitou Pedro a fomentar sua verdadeira inquietação. “Para onde vou, não me podes seguir agora”; (observe que Jesus estava falando a Pedro). Tu, Pedro, mais tarde, me seguirás (João 13:36). Esta afirmação manifestou a preocupação básica de Simão. “Senhor, por que não posso seguir-te agora”? (João 13.37). Observe que Pedro não disse: Por que não podemos seguir-te agora? A pergunta revela que o seu coração não estava preocupado com “o nós”, ao contrário, estava preocupado consigo mesmo. Desejava saber porque não poderia ir com o Senhor. Talvez raciocinasse: “Posso entender porque não desejas que os demais Te sigam, mas… sou eu, Pedro! Sempre tenho estado ao Teu lado. Sou o discípulo líder, sou parte do círculo íntimo. Nunca antes me detiveste. Me chamaste para estar contigo, não longe de Ti, e isso é o que estou decidido a fazer pelo resto da minha vida”.

Bem, se foi isso o que Pedro pensava, certamente ele não captou as palavras de Jesus. O que o Senhor expressou, não era uma proibição, mas a verdade de que Pedro não teria, naquele momento, o poder e nem a capacidade de ir aonde Jesus iria. Para completar, penso que Pedro considerava que Jesus não fazia uma avaliação correta de seu nível de compromisso e lealdade. Por isso afirmou e prometeu ao Senhor: “Por ti darei a minha própria vida” (João 13:37b). Ao afirmar; “Por ti”, literalmente, o que Pedro estava dizendo era: “Darei a minha vida, em lugar da tua”. Note que Pedro não disse: “morrerei contigo”, como Tomé o disse em João 11.16. Tampouco, disse: “morrerei por causa de Ti”, como está escrito em Apocalipse 6:9, a respeito daqueles que foram mortos “por causa do testemunho que sustentavam”. Pedro não faz alarde que colocará sua vida junto com Cristo, a seu lado. Não, ele propõe pôr a sua própria vida para que Jesus não tenha que fazê-lo. Assim sendo, Pedro intentava redimir a Jesus da missão ordenada por Deus. Em Mateus 16:23, o Senhor repreendeu fortemente a Pedro, mas agora, o Salvador respondeu de uma maneira diferente. Essa resposta deveria ter sido suficiente para calar a Pedro, posto que Jesus expôs a pura irracionalidade de sua réplica em forma de pergunta: “Darás a vida por mim?”  Provavelmente, naquele momento, o Senhor deve ter fixado os Seus olhos nos olhos de Pedro. A poucos passos da agonia do Getsêmani, a poucas horas da humilhação e da tortura, Aquele que suportaria o ataque satânico, veria pela primeira vez, em toda a eternidade, que o Pai Lhe daria as costas. Sim, o Único que podia suportar tudo aquilo, olhou nos olhos daquele que queria “substitui-lo”. Esta não era uma tentação da qual Pedro fosse um instrumento de Satanás. Não; esta era uma situação que só acrescentaria dor ao coração do Mestre, talvez pior do que a traição de Judas. Jesus poderia ter dito mais, se não fosse pelo tempo que apertava. No entanto, ao analisar somente as palavras de Pedro, pode-se deduzir muito mais do que pensamos:

“Darás a vida por mim, Pedro? Eu sou o “Bom Pastor” que dá a vida pelas ovelhas, não você. Você está tratando de intervir e ocupar o lugar que, merecidamente, o Pai me deu. Pedro, se você morre em meu lugar, segundo os padrões do mundo, isso parecerá nobre e heroico, e também poderá se converter em uma fonte de fábulas transmitidas de geração em geração. Dar a sua vida, pode ser algo do qual sintas orgulho e, possivelmente, muitas pessoas serão estimuladas a seguirem o seu exemplo. No entanto, Pedro, esse sacrifício não será aceito pelo Pai como um sacrifício expiatório. Não será a base para o perdão de teus pecados, muito menos pelos do mundo. Lembra-te que, em um de nossos primeiros encontros, me disseste: “Aparta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (Lucas 5.8). Quem, pois, pagará por teus pecados, pecador? Podes desfazer, sequer uma das incontáveis transgressões que você mesmo cometeu? Não, teus pecados te desqualificam! Você não pode ser e nem tampouco se converter no Cordeiro sem mancha. Não, Pedro, eu darei a minha vida em lugar da sua, e de todo homem. O pecado manchou a tua vida. Eu, e somente eu, posso fazê-lo. Tua “ajuda” neste momento, nada mais é que um impedimento. De fato, para mostrar a distância entre a minha capacidade e a tua completa incapacidade, antes que amanheça, três vezes negarás que, sequer me conheces”.

Para encerrar o nosso estudo de hoje, afirmo que o meu foco foi a Pessoa de Jesus. Somente Ele é digno. Em Apocalipse 5.9 lemos: “porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação…” Este foi o resultado do sacrifício de Jesus. Pedro era bem-intencionado, mas, naquela época, não conhecia os propósitos de Deus. O Pedro que vimos depois da ressurreição de Jesus, esse sim, era um outro Pedro. Esse seguia conhecendo o seu Senhor e andando com Ele. Quantos entre nós são como o Pedro de antes? Quando conhecemos a Jesus por experiência e não apenas por informação, seguimos como o outro Pedro, aquele depois da ressurreição do Senhor. Reflita!

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves

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