As Pegadas – Tópico 4


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Em João, capítulo 13, vemos Jesus a sós com os discípulos. Naquele momento lhes restava pouco tempo com o Salvador, e o ensino recebido nas últimas horas, foi fundamental para eles e também para a igreja que estava nascendo. Jesus começou dizendo algo inesperado, e sem dúvida, mal interpretado. Assim que Judas deixou o grupo, o Senhor disse: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele; se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á imediatamente” (João 13.31-32). Para os discípulos, especialmente para Pedro, Tiago e João, este pronunciamento era uma notícia maravilhosa.  Naturalmente pensaram que a imediata glorificação incluiria a Jesus como Rei de Israel, e os doze sentados em tronos, julgando as doze tribos (uma promessa do Senhor em Mateus 19.28). Jesus continuou, mas, o que anunciou não foi o que os discípulos esperavam.  “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco; buscar-me-eis, e o que eu disse aos judeus também agora vos digo a vós outros: para onde eu vou, vós não podeis ir” (João 13.33). O que Jesus afirmou sacudiu a todos, mostrando-lhes a cruel realidade do momento que transcorria. Não se tratava da glória Dele, mas da separação Dele.

Os discípulos que haviam caminhado com Jesus durante três anos, não o haviam abandonado; estavam ali. Jesus lhes havia prometido recompensas e retribuições específicas. Não que as recompensas fossem o mais atrativo, ou o mais importante. Para eles, Jesus era tudo: seu Líder, seu Mestre, seu Amigo e, como eles sabiam, e logo compreenderiam com maior clareza, o Messias e o Rei, o Filho do Deus vivo. Há, todavia, um sentimento que não se pode explicar muito bem: eles receberam as mesmas limitações que Jesus havia posto a seus inimigos, ou seja, “não podiam ir aonde Jesus estava indo”, e isto os perturbava profundamente. Se não o conhecessem bem, em seus pensamentos haveria brotado o germe de que Jesus os estava traindo.

Façamos uma pequena análise do que Jesus lhes disse. O Senhor os informou que não “podiam” ir. No grego, a palavra é “dunamai”, que significa que eles não tinham o poder ou capacidade de ir aonde Ele estava indo. Os discípulos não podiam acompanhar a Jesus, não por falta de permissão, mas por falta de capacidade pessoal. Ir aonde iria Jesus, era algo que não podia ser partilhado naquele momento. Antes de Judas sair, Jesus havia lavado os pés dos discípulos. Quando o Salvador predisse que um deles o trairia, Pedro deve ter franzido o cenho enquanto instigava João a perguntar quem era o traidor. Em outra oportunidade, Pedro mesmo o faria. Todavia, como havia sido repreendido pelo Senhor minutos antes, no episódio da lavagem dos pés, é muito provável que Simão se titubeou. Ninguém gosta de ser repreendido diante de outras pessoas, especialmente pela Pessoa que Pedro amava tanto e a quem procurava servir.  No entanto, o aviso de Jesus de que não poderiam acompanha-Lo, foi demasiado para Pedro que ficara em silêncio. O Senhor falou de separação, o que Pedro mais temia, e assim provocou mais perguntas. A separação não encaixava com sua ideia de glória, nem com a imagem que tinha de Jesus. O Senhor jamais havia lhe dito: “Não podes ir aonde eu vou”; pelo contrário, reiteradas vezes lhe havia dito: “vem”. Quando Jesus caminhou sobre as águas, lhe disse: “vem”! E ainda mais: Jesus havia convidado a Pedro para ser testemunha da glória que se manifestou no Monte da Transfiguração. Agora, porém, Deus glorificaria a Jesus, mas a Pedro e aos outros não lhes foi permitido ir. Por que? Simplesmente por que não eram capazes de ir com Ele? Como poderia ser? Isto não fazia nenhum sentido para Pedro, e ele teria que descobrir o motivo da mudança de planos.

Finalizando por hoje, será que podemos extrair algum aprendizado do que lemos? Falei anteriormente que, ao estudarmos a Bíblia, deveríamos entrar no mundo e no contexto dos personagens bíblicos.  Este texto se propôs a isso, não obstante, que tipo de reação teríamos se nos colocássemos no lugar de Pedro? Quantas vezes o criticamos, mas o que teríamos feito? Conhecer a Jesus e a Sua vontade, não deve ser algo que se toma posse, somente pela informação. Somos chamados a conhece-Lo por experiência, sem, contudo, minimizar a informação. As Escrituras nos mostram o Salvador e o plano de Deus. Assim sendo, temos, então, a revelação do presente que o Pai nos deu com muito amor. Agora, no entanto, por experiência própria, precisamos andar diariamente com Jesus e pisar em Suas pegadas. Reflita!

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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