As Pegadas – Tomo 5 – Introdução.


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Se propagou como um rastro de pólvora quando se acende, a ilustração daquele homem que perguntou a Jesus o motivo de, nos momentos de sofrimento e dor, o Senhor não estar com ele, pois andou sozinho. Jesus, então, lhe respondeu dizendo que naquelas ocasiões, o Salvador o carregou em seus braços, razão pela qual, ele só conseguia ver um par de pegadas na areia. Penso que uma grande maioria conhece esta história.  Em vários lugares, a Bíblia apresenta a mesma verdade central desta breve narração, ou seja, Deus está mais próximo de nós que um irmão. Nada pode nos separar do amor de Cristo, nem mesmo os nossos sentimentos que, invariavelmente, tentam nos dizer o contrário. Aquela frase que amamos do Salmo 23, nos recorda: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra e da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo;  a tua vara e o teu cajado me consolam” (Salmo 23.4).  Assim como a ilustração das “pegadas na areia” nos permite ver o cuidado do Senhor que antes não percebíamos, a Bíblia contém um relato sobre outro par de pegadas. Estas, não são apenas literais, mas perduram até os dias de hoje.  Não é suficiente sabermos a respeito delas, mas como cristãos que somos, devemos pisar ou andar sobre elas.   Ainda que, de alguma maneira, se assemelhe a “pegadas na areia”, o que esta passagem das Escrituras descreve é bem diferente, porém fundamental para compreendermos a questão do sofrimento. O relato está em 1 Pedro 2.21: “Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.”

Muitas coisas aconteceram quando Pedro escreveu esta epístola. O governo romano havia se tornado muito mais hostil aos irmãos em Cristo. Para o império, o cristianismo já não era visto como uma raridade inofensiva, formado por pessoas equivocadas. Nos dias de Pedro, esses cristãos estavam sofrendo muito, pois as opiniões públicas e políticas haviam mudado de tal maneira, que o estado considerava como inimiga qualquer pessoa que se declarava aliada de Jesus em vez de César. Já estava instalado um certo grau de perseguição, mas as coisas ainda iriam piorar, e muito. O estado perseguiria a milhares, submetendo-os a maltrato físico e econômico. Muitos seriam açoitados e outros martirizados. Aquele povo havia cometido o crime de proclamar a promessa de uma esperança melhor e de uma recompensa no mundo vindouro por meio de outro Rei: Jesus!

Aos cristãos que viviam naquela época lhes esperavam dias cinzentos e deprimentes. Vários líderes da igreja primitiva enfrentariam o martírio, inclusive o apóstolo Paulo. Também Pedro, de acordo com a tradição eclesiástica, naqueles tempos, seria crucificado. Aliás, Jesus já havia profetizado sobre a morte dele em João 21. O momento de sua morte estava se aproximando e o apóstolo conhece o seu destino, mas não retrocede. É um homem diferente daquele dos relatos dos evangelhos. Lá, vemos um Pedro teimoso, impetuoso, arrogante e com uma dose de opinião de si mesmo mais elevada do que deveria. Será que essas características não fazem parte de uma grande maioria dentro de nossas igrejas? Incluindo eu e você? Quando Pedro escreveu sua primeira epístola, era um homem mais velho e trazia consigo uma boa bagagem de maturidade cristã. Agora, após caminhar uns trinta anos com Jesus, podia se ver claramente em sua vida, os efeitos dessa caminhada.  Ele havia superado suas atitudes infantis e se tornou a rocha da fé que Jesus havia predito. O sofrimento que havia suportado durante décadas produziu uma enorme mudança. Ele se tornou um pastor. Sim, um pastor com um coração de pastor. Nunca mais estaria entre aqueles que discutiam quem eram o maior dos apóstolos. Não, ele era um homem diferente. 

Reflita: Esta publicação é uma introdução ao tópico que iremos abordar durante os próximos dias. Todavia, para fixar o que vimos, deixo uma questão: qual o cristão que não precisa de transformação diária e de fazer morrer a sua natureza terrena? Você está satisfeito com a sua vida espiritual? Você conhece a Deus na intimidade? Olhe para Pedro. Ele andou com Jesus por três anos; viu e ouviu coisas grandiosas, mas, naqueles dias, mesmo andando com Cristo, ele precisava de transformação. Após a ressurreição de Jesus e a descida do Espírito Santo, Pedro inicia um novo processo de mudança. Nessa caminhada, ele entendeu que o sofrimento era necessário para trazer, também, a maturidade. Vou falar mais sobre isso, mas, por enquanto deixo a pergunta para você refletir: Você deseja ser transformado a cada dia, bem como desenvolver a maturidade cristã? 

No amor de Cristo Jesus, 

Pr. Natanael Gonçalves

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