Koinonia – tópico 8


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No tópico anterior, comentamos sobre o termo arameu “Abba” e como Paulo o usou. Se você não leu, recomendo que o faça clicando aqui. Todavia, hoje, quero destacar mais um exemplo nas Escrituras onde vemos a mesma palavra, agora usada por Jesus, acompanhada de uma súplica. Um tempo antes de sua prisão, o Salvador entrou no horto do Getsêmani. Algumas pessoas não fazem ideia, mas ali, naquele horto, foi travada uma intensa batalha. Se o Calvário foi o último lugar onde Cristo obteria a vitória, Getsêmani foi um dos estágios iniciais no drama da salvação. Getsêmani, sem dúvida, foi campo de uma batalha indescritível.

Levando consigo, uma vez mais, Pedro, Tiago e João, Jesus entrou no terreno de uma batalha espiritual, até então, desconhecida, algo que não tinha provado antes. Leiamos juntos Marcos 14.33: “E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia”.  Observe que Jesus começou a “sentir” tomado de pavor e de angústia. Pesquisando um pouco, descobre-se que o termo traduzido por “pavor”, no grego é ekthambeo, que significa estar assustado, com terror, perplexo ou surpreendido. Diante disso, sugere-se, então, que a profundidade e a intensidade da batalha fizeram com que, até Jesus, manifestasse o sentimento de terror. Havendo-Se despojado do uso de Seus atributos divinos, a severidade do sofrimento foi maior do que Ele esperava, ou seja, O surpreendeu! A outra palavra que destaco é “angústia”.  O termo, no português, perde um pouco do seu sentido na tradução. No grego, a palavra usada é  ademoneo,  que expressa uma realidade mais profunda desse sentimento. Strong e alguns outros dicionários, a define como “estar gravemente angustiado” ou “estar extremamente atribulado”. Não se trata de uma angústia em geral, mas de uma angústia profunda, sem medida.  Você sabia disso?

Marcos 14.35 nos chama a atenção para a magnitude desta luta, revelando o movimento corporal de Jesus: “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora”. Estudiosos do grego afirmam que Marcos usou o tempo imperfeito que, habitualmente, serve para destacar uma ação repetida. Assim sendo, dizem que Jesus, reiteradamente, se prostrava ao solo em oração. Você pode ver com os olhos da mente essa cena? A oração do Senhor foi uma oração com o movimento de inclinar o rosto diante de Deus, de levantar-Se e caminhar nervosamente de um lado para o outro, de voltar a sentir-Se consumido pelo horror, talvez, estendendo Suas mãos ao Pai, e, outra vez, prostrar Seu rosto em oração. Uma oração repetida, incessante, uma oração ativa em um campo de batalha ativo. Mateus (26.36-46), revela três seguimentos diferentes na oração de Jesus. Não revelou sua duração, mas pode ter demorado horas. Lucas (22.39-46) descreveu que o sofrimento era tão intenso, que Deus decidiu enviar um anjo para que Lhe desse forças e, acrescentou que Jesus estava em “grande agonia”. Por causa disso, Sua transpiração se tornou como gotas de sangue. Ele não havia recebido açoites e nem a sua carne havia sido rasgada pelos chicotes, todavia, a intensidade da agonia e da angústia provenientes da luta que havia em Seu interior, Lhe causaram dano físico. Nunca poderemos entender completamente. Estamos em pé, como simples espectadores e não como participantes. Ali, era somente Ele. Simplesmente, não temos a capacidade de compreender o que foi o Getsêmani para Jesus.

Marcos 14.36 revela uma verdade extraordinária. Vejamos: “E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”. Jesus, orou: “Abba, Pai!” é o único caso registrado na Bíblia em que Jesus se dirigiu ao Pai com este nome. Em Sua angústia desolada, o Salvador clamou: “Abba! Papai!” Aquilo era um pranto de uma criança ferida a Seu Pai protetor e amoroso. Era o clamor a Seu “Abba” para que O tirasse da dor, para que, se possível, passasse Dele aquele cálice. Era a oração desesperada e repetida, porém, não sem resposta.  Quando o Pai, finalmente respondeu, disse: “não!” Não faria passar o cálice: Jesus deveria bebê-lo completamente. O Filho se submeteu. Não obstante, enquanto o horror O consumia até o mais profundo da alma, voltou a prostrar-Se em terra, gritando: “Abba!” Se os homens que foram prender a Jesus, estivessem, naquele exato momento procurando-O, não necessitariam de tochas. Seguiriam apenas o som de Seus reiterados gemidos de “Abba” “Papai!” Certamente, teriam sido guiados diretamente a Ele.

Voltemos a Paulo. Ele escreveu: “para o conhecer… e a comunhão (participação) dos seus sofrimentos (Fl 3.10). Será que compreendemos melhor o que ele quis dizer? Bem, se alguma vez, você se viu diante de um sofrimento que Deus lhe permitiu experimentar, e respondeu com um sentimento de perplexidade e uma tremenda angústia, então, em certa medida, você conhece a participação de seus sofrimentos. Se alguma vez orou com ardor e paixão, ou de uma forma desesperada para que Deus o resgatasse, então, você conhece um aspecto da participação de seus sofrimentos. Se alguma vez você quebrantou seu espírito diante de Deus, mas Ele não aliviou a sua dor, você conhece algo da participação de seus sofrimentos. Se a resposta que você obtém de Deus, é qualquer outra coisa, menos a que deseja, e, mesmo assim se mantém em sujeição à Sua vontade, ainda que isso, todavia, signifique mais dor, então, você conhece a participação de seus sofrimentos. O ponto em destaque, não é que Ele conhece a nossa dor, mas que nós conhecemos um pouco da Sua. Se assim for, o nosso conhecimento de Cristo, não se dará através de estudos, mas por experiência. Como consequência, portanto, nós nos conformaremos mais e mais à Sua imagem.

Finalizando, a palavra grega Koinonia, geralmente traduzida por “comunhão”, também significa “participação, associação”. Será que você conhece Koinonia, simplesmente por ir à igreja e estar com os irmãos? Este tópico mostrou outra porta para Koinonia. Se você entrar por ela, certamente, você não será um visitante, mas um membro eterno.  Lá você encontrará a Jesus, Paulo, e uma longa lista de cristãos fiéis que conheceram o poder da ressurreição e a participação dos seus sofrimentos.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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