Koinonia – Tópico 5


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Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele (Filipenses 1:29).

Esta é a primeira vez que Paulo menciona o sofrimento por Cristo na carta aos filipenses. Digno de nota é que esse sofrimento foi concedido por graça, como anteriormente já tinha mencionado. Agora, no entanto, em Filipenses 3.10, o apóstolo destaca a comunhão (participação) dos sofrimentos de Cristo. A maioria não discerne o sofrimento como um dom de Deus ou como parte do processo de um andar mais profundo com o Senhor. Antes de continuar, afirmo, porém, que não estou falando de uma aflição produzida por você mesmo. Volto a insistir no significado do sofrer por causa do evangelho. Não obstante, ainda que você mesmo tenha sido o agente do seu próprio sofrimento, Deus pode usar essa ferramenta para trabalhar em sua vida. Mas, voltando ao nosso tema, quero que saiba de uma coisa: se você já nasceu de novo, as aspirações terrenas não podem impedir que você pertença a Jesus, mas podem, sem dúvida, impedi-lo de conhecer a Cristo em profundidade. Quantos de nós, cristãos, não estamos contentes com um conhecimento superficial de Jesus? Não seria porque estamos satisfeitos com os prêmios que ganhamos deste mundo que perece? Desde que tudo passa e este mundo perece, esses prêmios, em verdade, não nos pertence. O sofrimento, todavia, nos obriga a encontrar consolo e misericórdia em Cristo, enquanto buscamos Nele esperança para o futuro. O sofrimento converte este mundo em um lugar onde nós nos sentimos menos em casa e o céu como uma realidade mais definitiva. Observe, entretanto, que se você estiver buscando o paraíso nesta terra, certamente provará a decepção com Deus. Alguém disse que o sofrimento tem o poder de aflorar nossos laços com o mundo presente. Concordo, pois somos pó e a nossa natureza humana está ligada a este mundo. Entretanto, o sofrimento também tem o poder de produzir em nós o desejo de viver com o Senhor.

Se alguém procura ler alguns comentários sobre “a participação de seus sofrimentos”, poderá observar que quase todos eles caminham na direção do intelecto e não no fator “experiência”. Pode ser melhor passar logo a outro tema, especialmente porque Paulo escreveu que o sofrimento é um presente de Deus e que, este presente, pode chegar em momentos inesperados. Esses comentaristas bíblicos, em grande maioria, descrevem “a participação de seus sofrimentos” como um processo automático e parecem compará-lo com as dificuldades da vida diária. Eles afirmam: Acaso os cristãos não enfrentam dificuldades, sofrimentos, dores e pressões econômicas? Esses comentários sobre a “participação dos sofrimentos de Cristo”, invariavelmente, apontam para uma declaração geral, sustentada por escassos exemplos coerentes e, rapidamente, passam ao texto seguinte. Por que? Certamente esse tema não é um lugar para se estacionar e, mais ainda: explicar o sofrimento de outras pessoas, transcende o terreno intelectual. Outrossim, o sofrimento como experiência própria, transcende tanto o intelecto como a fé.

Não sei se você percebeu, mas ao longo desse tópico tenho insistido nesse tema, nem tanto para explicar, mas para despertar você para uma outra perspectiva. Os nossos olhos estão em Cristo? Somos apaixonados por Ele? Desejamos conhece-Lo mais? Continuamos na próxima publicação…

Naquele que é o Senhor de toda a glória,

Pr. Natanael Gonçalves

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