Koinonia – Tópico 3


by

Começo o tópico de hoje lembrando que os sofrimentos pelos quais Paulo passou, não o credenciava, segundo os padrões do mundo, a uma vida de sucesso. Aliás, os fariseus de sua época o consideravam como um verdadeiro fracasso e por que não dizer que muitos cristãos, entre nós, não o avaliam com a mesma régua? Por que afirmo isso? Porque muita gente pensa que o cristão fiel e cheio de fé não sofre. E, se alguém está passando por algo semelhante, seja em qualquer área da vida, pode ser acusado de falta de fé, de algum pecado não confessado ou até mesmo de estar debaixo de uma maldição de seus antepassados. Bem, recordo que no tópico anterior, imaginei alguns indivíduos conversando a respeito do apóstolo, enquanto destacavam alguns pontos de sua trajetória de vida após a sua conversão (se você ainda não leu, clique aqui). Não obstante, ainda faria algumas perguntas a ele, sabendo, de antemão, as suas respostas:

O que há em seu coração, Paulo? Você se queixa pelo que sofre e pelo que já sofreu e perdeu? Você faria tudo igual se pudesse voltar atrás? Quando você está só à noite, passa pela sua imaginação o que teria acontecido se você continuasse sendo um fariseu? Alguma vez você desejou ter um filho? Sente falta de um abraço carinhoso de uma esposa? Imagino que Satanás, em algum momento, pode ter sussurrado aos seus ouvidos, sugerindo algo como: “sabes, Paulo? Antes você tinha tudo! Veja a vida daqueles que eram os seus companheiros, incluindo alguns supostos seguidores de Jesus. A vida deles, pode ser considerada abençoada e próspera. E você? Você não tem nada!”

Se tais pensamentos, alguma vez, atravessaram a mente de Paulo, não encontraram lugar para pousar. O apóstolo não se considerava um perdedor fracassado, mas um vencedor. Em Filipenses, capítulo três, admitiu que a sua notoriedade e prestígio antecedentes, já não existiam. No entanto, nos versículos 7 e 8 do mesmo capítulo, ele conclui:

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.

Ele afirmou que perdeu tudo, mas, em compensação, ganhou a vida. Segundo os resultados, Paulo estava muito feliz com essa transação, mas ele expressou algo mais. Ainda que não tivesse muito tempo de vida pela frente, não considerava que a sua obra houvesse terminado. Aliás, ele mesmo julga que não alcançou a sua meta espiritual. Portanto, ele é implacável consigo mesmo e não atenta para a sua idade e circunstâncias, ao contrário, olha para Jesus. Sua meta é conhece-Lo mais e mais. Mesmo sendo um acadêmico, sua relação com Jesus nunca teve nada a ver com o acúmulo de informação erudita. As verdades doutrinais eram essenciais, pois elas vieram de Cristo e Paulo as manteve ao longo de sua vida. Mesmo caminhando com o Senhor durante décadas e, provavelmente, O conhecendo melhor do que qualquer outra pessoa em vida, Paulo queria mais. Seu estímulo era conhecer a Jesus mais e mais, buscando uma comunhão (Koinonia) cada vez mais profunda com o Senhor.

Finalizando, Paulo é um exemplo fidedigno de ser seguido. Se vivemos em tempos e condições diferentes, não podemos usar isso como uma desculpa para não buscarmos uma comunhão (Koinonia) mais íntima com o Salvador. Quem está disposto? Qual a sua meta espiritual? Acrescento ainda mais duas perguntas: O que você perdeu para ganhar a Cristo? Você pode dizer como o apóstolo que considera as coisas desta vida como um refugo, um lixo?

Senhor, derrama uma sede de Ti mesmo no coração do Teu povo!

Pr. Natanael Gonçalves

share

Recommended Posts