Koinonia – Tópico 2


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Paulo escreveu a carta aos filipenses enquanto estava preso em sua casa, na cidade de Roma (Atos 28.16,30). Ele não estava num calabouço escuro, mas confinado em sua própria casa por dois anos. Você pode imaginar a agonia de estar ligado a um soldado por meio de uma corrente presa no calcanhar, vinte e quatro horas por dia? Se você estivesse no lugar dele, o que sentiria?

Paulo passou pregando o evangelho em lugares como a Ásia Menor e Europa, fundando igrejas e edificando com paciência os novos cristãos na fé. Todavia, a esta altura, Deus o removeu do trabalho que realizara desde a sua conversão. Por um tempo, o apóstolo não seria um missionário ambulante, posto que Deus o separou para uma extraordinária função. Durante o período em que esteve preso em sua casa, Paulo pregou o evangelho e viu a conversão de muitos. Em adição, Deus o usou estrategicamente para escrever aos Efésios, Colossenses, Filemon e Filipenses. A igreja, desde então, tem se beneficiado dessas cartas, fruto desses dois anos de prisão do apóstolo. Para alguns estudiosos, Paulo, quando escreveu aos filipenses, não lhe restavam mais do que dois anos de vida.  Imagine que tipo de existência havia sido… Após a sua conversão, Paulo deixou tudo para seguir a Jesus e ia aonde quer que o Senhor indicasse. Mas, valeu a pena? Sua vida havia sido um sucesso ou um fracasso? Olhando para Paulo, lembrando de seus sofrimentos e angústias, que análise você faria de si mesmo? Ficaria satisfeito com a sua avaliação?

De acordo com os padrões do mundo, a vida de Paulo foi qualquer coisa, menos um sucesso grandioso. Os indivíduos que conheceram a Paulo em sua época de fariseu, agora, talvez, só falariam dele com aquele sentimento de desprezo. Exercitemos um pouco a nossa mente. Provavelmente, ouviríamos algo assim:

 “Paulo, melhor dizendo, Saulo – como nós o conhecíamos – tinha tudo o que pudesse desejar. Ainda que não nos interessasse no âmbito pessoal e nem o considerássemos  como amigo, não podemos deixar de reconhecer que Deus lhe presenteou com uma mente lúcida. E o que ele fez a respeito? Que bem ou serviço prestou ao nosso Deus ou ao nosso povo? Eu vou dizer o que fez: o brilhante e jovem rabino renunciou a sua posição social, sua família, seu patrimônio cultural, e sim, inclusive, a seu Deus. E tudo para que?  Para seguir um criminoso convicto e executado, a quem, de algum modo, ele considera como o Cristo. Vejam: O Filho de Deus crucificado? Nosso Messias? É um milagre que o céu não o consuma de uma vez, por essa blasfêmia.  O mais divertido, se não fosse tão patético, é que o próprio Saulo ia por toda parte prendendo famílias inteiras que criam nesse mito.  Por sua ordem, eram encarcerados, torturados e executados, e agora, ele se tornou um deles. Pior ainda, pelo que podemos ver, Saulo procurou fazer-se como um gentio; sim, esses cães malditos que desafiam o Deus dos céus e profanam a nosso povo. Que o Deus Todo-Poderoso destrua a todos, inclusive a seu pequeno fantoche, “Paulo”.  Então, qual foi o resultado dessa adesão mística de Saulo ao Messias? Por acaso, ele ocupa um lugar no Sinédrio? É um mestre reconhecido e de prestígio? Seus compatriotas o reverenciam? Não! Ele vai uma e outra vez à Ásia e a Europa, somente para ser abusado, escarnecido, açoitado e encarcerado em distintas cidades. Praticamente, não há partes de seu corpo que tenha escapado dos chicotes e das varas, com as quais tem sido castigados todos aqueles que carecem de iluminação. Não possui um lar e nem uma família e, na realidade, tampouco possui uma pátria. Sua última visita a Jerusalém provocou distúrbio tal, que duvido que os judeus e os romanos o permitam voltar. Agora mesmo, ouço notícias de que está preso em Roma, esperando para comparecer perante César. Acaso Saulo pensa que ele, um prisioneiro comum, impressionará o líder que os gentios chamam de “a glória de Roma?” Eu daria risadas em sua cara. Se Saulo não desiste, o mais provável  é que as autoridades se livrem desta praga diminuta. Que desperdício irreverente de sua própria vida e capacidades! Que Cristo é esse que segues, Saulo? Você perdeu tudo! Você não tem nada!”

Se olharmos superficialmente, como muitos o fazem, essa avaliação da vida do apóstolo, estaria correta. Paulo havia sofrido grandes perdas. Porém, o que havia em seu coração? Alguma queixa, Paulo? Farias tudo igual, se pudesse?

Finalizando, meu propósito é que você reflita sobre a vida deste homem de Deus. Por que deveria ser diferente para todos aqueles que querem seguir a Cristo de forma verdadeira? Você poderia dizer: vivemos no século XXI, onde as coisas são bem diferentes. Será? Não temos hoje perseguição e morte a tantos cristãos ao redor da terra? Mas, a questão é: Como você avalia a sua vida e o que você faz da liberdade que tem?

No próximo tópico, para seguir com a nossa investigação, imagino algumas perguntas que faria a Paulo. Não perca!

Em Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves

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