Koinonia – Tópico 1


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No tópico anterior, comentei sobre o termo Koinonia e seus significados. Não obstante, apesar de ter discorrido um pouco sobre a palavra, destaco que, em sua abrangência, Koinonia significa também “participação, associação”. É curioso que a palavra esteja ausente nos quatro evangelhos, coisa bem provável pelo fato do foco ser a pessoa e a obra do Senhor Jesus. João 1.14 registra: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” O que isto expressa? Que Deus, num ato magnífico, se fez carne e habitou no meio da sua criação. A comunhão com o Pai, então, estava apenas em seus começos quando Jesus viveu na terra. No entanto, após a ressurreição, ocorreu uma mudança fundamental nessa relação. Em João 20:17, Jesus ressuscitado, disse a Maria Madalena: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.” Observe como Jesus se referiu aos seus discípulos, aos onze, chamando-os como seus “irmãos”.

Até então, Ele havia habitado entre eles, agora, porém, eram seus irmãos, ou seja, participavam com Ele. Em outras palavras: “nesse dia, Jesus estabeleceu a comunhão (Koinonia), e uma comunhão eterna.” Todavia, Cristo não restringiu esta nova comunhão apenas aos discípulos originais, nem somente em sua relação com Deus Pai. Não! Jesus expandiu a comunhão para incluir a todos que, daí em diante, nascessem de novo. A igreja de Cristo não é uma organização, mas uma entidade viva. Assim, a comunhão seria com Deus, mas também com os verdadeiros cristãos de todas as partes do mundo. Não somente a comunhão está disponível, mas também deve ser vigorosa, se a igreja e seus membros desejam ter uma relação, espiritualmente, sadia. Atos 2.42, o primeiro exemplo de Koinonia registrado nas Escrituras, demonstra a necessidade de tal comunhão: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” Esta passagem contém quatro componentes fundamentais da igreja primitiva, e Koinonia, era um deles. A comunhão não era apenas algo que possuíam, mas, sobretudo, algo a que se dedicavam e cuidavam.

O apóstolo Paulo usa frequentemente a palavra Koinonia, porém sempre no sentido cristão, nunca no sentido secular. Paulo sabia que Cristo era a base da comunhão e esta se manifestava em diversas áreas. Por exemplo, ele referiu a “comunhão com Seu Filho” (1 Coríntios 1.9), “a comunhão do Espírito Santo” (2 Coríntios 13.13), e “a cooperação (participação) no evangelho” (Filipenses 1.5). A comunhão também podia significar a plena aceitação do outro (Gálatas 2.9). Para Paulo, a comunhão começa com Deus, porém se transfere às relações pessoais dentro da igreja. Isto segue sendo uma realidade hoje em dia. Note que a comunhão começa com Deus, não com os outros.

Finalizo com um versículo que mencionei no tópico anterior e que pode deixar muita gente fora de órbita, uma vez que não se espera tal afirmação nas Escrituras. Trata-se de Filipenses 3.10: “para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte.” O uso que Paulo faz do termo Koinonia para referir-se à “participação” dos sofrimentos de Cristo, é tão surpreendente como “o presente divino do sofrimento” que ele mencionou antes, em Filipenses 1.29. O apóstolo, não apenas sabia da existência de tais sofrimentos, como também procurava ativamente ser participante de Cristo, em meio a eles. A maioria de nós, não reage desse modo. Talvez deveríamos investigar por que Paulo escreveu tal declaração e tentar descobrir se essa revelação nos ajuda em nossa compreensão do sofrimento.

Você poderia aproveitar e orar a respeito do tema, enquanto descansa no Pai Amoroso que Deus é. Seguimos nos próximos tópicos em nossa investigação. Não perca! Acompanhe! Você será abençoado!

Naquele que é o Deus de toda a graça,

Pr. Natanael Gonçalves

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