A Trilha – Tópico 1


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Davi, um homem segundo o coração de Deus, aprendeu e viveu as experiências daqueles que seguem passo a passo na trilha do Senhor. O Salmo 143 apresenta a súplica de Davi por libertação e guia num momento de profunda perplexidade. Leiamos juntos:

Atende, SENHOR, a minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas.  Responde-me, segundo a tua fidelidade, segundo a tua justiça. Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente. Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito. Por isso, dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos. A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta. Dá-te pressa, SENHOR, em responder-me; o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova. Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Livra-me, SENHOR, dos meus inimigos; pois em ti é que me refugio. Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano. Vivifica-me, SENHOR, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira da tribulação a minha alma. E, por tua misericórdia, dá cabo dos meus inimigos e destrói todos os que me atribulam a alma, pois eu sou teu servo.

Ainda que as circunstâncias sejam diferentes, a condição em que se encontrava Davi quando compôs este Salmo, é similar a muitos de nós. Ele clamou a Deus pedindo sua intervenção e livramento, enquanto pedia também resposta com rapidez. Olhou para trás e lembrou-se de tempos maravilhosos com o Senhor. Todavia, neste momento de sua vida, as demonstrações da presença e da graça de Deus eram mais uma lembrança do que uma realidade bem presente. Clamou a Deus como quem se afundou na escuridão, como se a morte se houvesse lançado sobre ele e estivesse prevalecendo. Para ele, não havia saída se Deus não o resgatasse. Este é um Salmo que expressa perplexidade diante do fato de que a resposta de Deus não viera de imediato quando Davi clamou. Não obstante, também não é um Salmo de murmuração e nem apregoa a alternativa de se afastar de Deus.

O apóstolo Paulo, uma pessoa fortalecida no Senhor e firme em Sua Palavra, experimentou a mesma condição espiritual. Em 2Coríntios 4.8, ele descreve seu andar com Cristo em termos de estar “perplexo (estar em apuros), porém não desanimado (estar desesperado)”. O termo “perplexo, no original, carrega o significado de “sem saída”. Esta palavra era usada pelos escritores para descrever uma situação em que uma pessoa fosse incapaz de encontrar uma via de escape. Se nos encontramos em situações de perplexidade e desespero, significa que estamos “sem saída.” Não nos sentimos assim porque as circunstâncias nos frustraram, mas sobretudo por havermos perdido por completo a esperança. Paulo escreveu que não havia chegado a esse ponto, porém muitos de nós o temos alcançado e, todavia, muitos estão ali. Se este é o seu caso, você não é o primeiro cristão que se apresenta diante de Deus sentindo-se desesperado. Muitos personagens da Bíblia que caminharam com Deus, de igual modo, ao longo da história, sentiram a impotência temporal que acompanha o estado de desespero. Penso, entretanto, que o desespero é um sentimento comum que pode ser evitado. Como? Posto que Paulo escreveu que não havia chegado ao desespero (a Almeida Revista e Atualizada traduz por desânimo), podemos aprender com ele e aplicar seu ensino. Mas isto, é assunto que vem pela frente, nas próximas publicações. Não perca!

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves

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