O cálice – Tópico 6


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Quando Jesus afirmou ser difícil um rico entrar no reino dos céus (Marcos 10.23), os discípulos se espantaram com aquelas palavras. Diante de tal revelação, observe como Pedro formula a pergunta na passagem paralela de Mateus 19.27-28:

Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós? Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 

Sem dúvida, o que Pedro e os demais pensavam, era que ninguém poderia ser mais abençoado por Deus, do que aquele jovem rico. Tinha praticamente tudo o que alguém podia desejar, e seu cálice transbordava das bênçãos de Deus. Não obstante, o Senhor lhe havia dito que vendesse tudo e desse aos pobres e, então, teria “um tesouro no céu”. Pedro está surpreso pela resposta de Jesus. Imagina que precisa entender melhor, certas coisas. “Será que o tesouro ou a bênção, somente poderão ser encontrados no céu?” Pedro não perguntou pela salvação do moço rico e nem por que a riqueza seria um obstáculo para a vida eterna. Ele pergunta por “e nós?” Talvez seria melhor dizer: “e para mim, o que haverá?” Seu propósito, no entanto, é sublinhar a seriedade da declaração a seguir: “Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?” Em outras palavras, ele estava dizendo: “já fizemos o que pediste ao jovem rico. Talvez não tínhamos tantas possessões para deixar, mas abandonamos tudo o que possuíamos para seguir-te. O que, pois, teremos? Esta é uma pergunta lógica dentro daquela circunstância, e, note, Jesus não repreendeu a Pedro por seu interesse na recompensa eterna. Sua resposta foi: “Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.” 

Lembremo-nos de que Tiago e João estiveram presentes na Transfiguração. Excluindo a Pedro, os dois irmãos, sabiam muito mais que os outros discípulos a respeito da referência que Jesus fez ao Trono da sua glória. Lucas 19.11, diz que “eles pensavam que o reino de Deus se manifestaria imediatamente” e, por conclusão, com o Seu reino, viria também a glória da qual foram testemunhas naquela oportunidade. Mas, o que se passou pela mente deles quando o Senhor respondeu a Pedro? Entenderam claramente que a glória não estaria limitada a uma visão fugaz de três discípulos aturdidos naquele monte e, mais, a glória do reino iluminaria a nação de Israel e, em última instância, a todo o mundo. “Faremos parte disso?” Podemos imaginar que naquele momento, Tiago e João trocaram olhares. Uma coisa era ver Jesus em sua glória, outra, era participar dela, e estar ligados intimamente com o Senhor e, consequentemente, com esta glória. Que recompensa maravilhosa, indescritível, incomparável!!!

Agora, todavia, observe algo tremendo: Jesus, em sua resposta, ampliou a promessa a qualquer um (e isso inclui eu e você), que renuncie pessoas ou possessões, em favor do evangelho. Prometeu muito em troca. Vejamos Mateus 19.29:

E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe [ou mulher], ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna.

Logo a seguir, Mateus relata como Jesus continuou o assunto ao mencionar a parábola sobre o dono de um campo, os trabalhadores e a recompensa que receberiam. Mas isso, é assunto para a próxima publicação. Para esperá-la, leia de antemão o texto de Mateus 20:1-15.

Que o Senhor, Aquele que é fiel para cumprir o que prometeu, te abençoe imensamente,

Pr. Natanael Gonçalves

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