O cálice – Tópico 4


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E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades (Marcos 10.17-22)

No tópico anterior, ao terminá-lo, fiz menção ao episódio que Marcos discorre a respeito do jovem rico. É interessante notar algumas particularidades desse acontecimento.

O ponto alto era circunstancial. A entrevista poderia ser considerada como um fato alentador, uma amostra da crescente onda de popularidade na medida em que Jesus e seus discípulos, se aproximavam de Jerusalém. O Senhor havia recebido uma constante oposição da parte dos líderes religiosos ao longo de seu ministério e, neste momento, vinha para ele um jovem rico com interesse nas coisas espirituais. Sem dúvida, este homem seria uma valiosa conquista para o reino. Todavia, Jesus, como em muitas outras oportunidades, respondeu ao moço rico de uma maneira oposta àquela que os discípulos esperavam.

O homem que veio a Jesus, veio porque precisava de uma coisa. O vazio da sua alma o lembrava disso diariamente. Ainda que possuísse muitos bens, havia chegado à conclusão de que a vida consistia em muito mais do que aquilo que possuía. Seu coração perturbado o angustiava constantemente com o que lhe faltava: a vida eterna! Se considerava um homem bom, mas a sua avaliação era o principal obstáculo para receber o que desejava. O Senhor, que conhece o mais profundo do coração humano, dirigiu-se a este homem de uma maneira gentil, citando-lhe alguns dos dez mandamentos. Oculto por sua aparente retidão, o vão caráter do fundamento espiritual deste jovem, foi exposto pela conversa com o Senhor.

Depois de um preâmbulo, Jesus iniciou citando tão somente os mandamentos que tratam com as relações humanas e omitiu os primeiros, que instruem acerca da relação e da responsabilidade do ser humano para com Deus. O jovem reagiu declarando que havia cumprido tudo o que a lei mandava. Suas respostas, no entanto, mostravam que ele definia a eternidade de acordo com seus parâmetros e não com os de Yahweh. Em nenhum momento de sua conversa com Jesus, ele mencionou Deus. Desejava a vida eterna, sim, mas segundo suas próprias pautas e seus próprios esforços. Queria uma recompensa eterna, não uma relação eterna. Este homem havia comprado tudo o que queria, mas o que desejava agora era parar o relógio da vida, ou melhor, seu desejo era de que a sua prosperidade atual continuasse na eternidade. Não obstante, o vazio em seu coração contradizia a avaliação externa de si mesmo. Deve haver alguma coisa mais a fazer, raciocinava, reconhecendo diante de Jesus o que, todavia, lhe faltava (v.20). A resposta de Jesus foi fulminante: Vai, vende tudo o que tens dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu… (v.21). 

A pergunta que este moço fez ao Senhor revela algo mais sobre o seu sistema de valores. Todavia, continuaremos no próximo tópico, pois toda essa questão se liga aos dois discípulos Tiago e João e, talvez, a nós também. Andemos juntos nessa trilha, pois, certamente, aprenderemos muitas coisas que nos abençoarão.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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