O restaurador!


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Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados (Tiago 5:20).

Tiago encerra a sua epístola tendo em mente o cristão que caiu no erro. O autor, cujo coração pastoral sofria por causa do irmão naquela condição, animava os demais a tirá-lo de tal estado. Quem é instrumento de Deus para tal empreitada, salvará da morte uma alma. O termo “erro” usado por Tiago, carrega o significado de crença enganosa, visão equivocada, ou desvio. Observo, no entanto, que essa vereda foi produzida por alguém que deu ouvidos aos apelos do pecado (2 Pedro 3:17). Por outro lado, acrescento que o fato em si, é uma advertência impactante para os cristãos. Qual advertência? A de que o pecado causa a morte! Sim, morte física, morte espiritual e morte eterna. Na primeira sentença do texto: Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma”, o autor vê a situação de um cristão que está no caminho equivocado e reconhece o perigo de morte. Desta forma, ele busca o resgate sem se importar com maiores explicações e estimula a todos da igreja a fazer o mesmo, se esforçando para restaurar o irmão que caiu. O foco é o resgate, em lugar das críticas (Tiago 4.11) e das murmurações (Tiago 5.9), e, sendo assim, devem utilizar a influência benéfica e amorosa da comunidade cristã (Gálatas 6.1) que está sempre envolvida com a Palavra da Verdade. Por fim, o versículo acima está intimamente ligado ao anterior, no qual o autor se refere ao desvio da verdade e, aqui ele define esse desvio como erro. Deve-se lembrar, no entanto, que Jesus disse ser o caminho, a verdade e a vida (João 14.6). Deste modo, compreendemos que o desvio da verdade é o apartar-se do caminho de Cristo Jesus.

A última frase: e cobrirá uma multidão de pecados, é bem interessante. O verbo “cobrir” significa tornar algo que antes era visível, em algo que não se vê mais. O caminho do erro, no qual transitava o desviado, revelava a todos uma multidão de pecados. Agora, porém, depois de ser convertido do erro por algum irmão, aquela multidão de pecados foi coberta, isto é, não é mais vista por ninguém. Junte-se a isso, que o retorno ao caminho da verdade, necessariamente, conduz à confissão dos erros e pecados a Deus, aos quais Ele promete perdoar, resultando em cobertura e esquecimento dos pecados cometidos. Não obstante, ainda há um outro sentido na ação de cobrir uma multidão de pecados. Aquele que conhece a trilha de desvio pela qual transitava seu irmão, conhece também os pecados que estavam sendo cometidos. Assim, o irmão que trabalhou na restauração de quem caminhava na estrada do erro, obtendo o resultado esperado, se alegrou em Cristo. Uma vez terminado o trabalho, os pecados conhecidos pelo irmão restaurador, nunca serão divulgados. Essa é a expressão natural do amor fraterno, posto que “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10.12). Essa é a mesma exortação de Pedro: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pedro 4.8). Não se trata de um falso amor que não confronta o pecado, mas de uma ação espiritual que restaura o pecador e guarda silêncio das faltas cometidas. Enquanto o crente carnal murmura dos irmãos (Tiago 4.11), enquanto o impaciente se queixa dos irmãos (Tiago 5.9), o restaurador ora pelos irmãos e não divulga os seus erros e pecados.

Momento de Reflexão: Na igreja de Cristo, onde a Palavra é pregada com integridade, pode haver aqueles que se desviam da verdade. Como você os trata? Por experiência própria, vi aqueles que se consideravam mais espirituais que os demais, levantar acusações e apontar os erros de outros. Neste último comentário do livro de Tiago, vemos que as coisas não devem ser assim. Você conhece alguém que se desviou do caminho? Você irá agir como um cristão carnal, ou como o restaurador?

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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