Aquele que se extraviou.


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Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter (Tiago 5:19).

Ao falar sobre aquele que se havia extraviado, Tiago demonstra seu coração de pastor. O tema não guarda relação com o incrédulo, mas com o cristão, membro da igreja. Embora a frase “se algum de entre vós”, expresse um pressuposto condicional, tal caso poderia acontecer de fato. O autor prossegue vinculando o dito extravio, à verdade. A verdade referida, não é para ser mentalmente assimilada, mas para ser incorporada à vida do cristão. Afastar-se da verdade é o mesmo que desviar-se do estilo de vida para o qual o crente em Cristo foi chamado.

O desvio da verdade, pode afetar o cristão. Por isso, ninguém deve pensar que a firmeza de sua fé o livra de suas quedas. O apóstolo Paulo exortou os cristãos de Corinto sobre esse modo de pensar: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10.12). Quando observamos alguns líderes cristãos que se acham muito espirituais, podemos refletir sobre alguns exemplos de desvios da verdade. Tais casos são demonstrados pela incapacidade desses líderes de se relacionarem com outros irmãos que não pensam como eles. Por exemplo, são incapazes de manter a comunhão no Espírito e uma relação de família, tendo em vista que todos são filhos do mesmo Pai. Esses, que se auto avaliam como mais espirituais, já se desviaram da verdade e se distanciaram do mandamento: “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:3). Creem intelectualmente nas verdades da unidade do corpo, mas se apartam delas quando não cumprem o desejo do Senhor Jesus: “a fim de que todos sejam um” (João 17:21-23). Esses mesmos líderes compreendem o “ide” de Jesus e até entendem que devem pregar o evangelho a toda criatura, mas se desviam da verdade ao proclamarem o evangelho apenas com palavras e não viverem como a Palavra de Deus ordena. Enfim, há vários outros exemplos, mas ficamos apenas com esses.

A grande missão do cristão verdadeiro, não é buscar o desviado e recrimina-lo, mas sim traze-lo novamente ao bom caminho e ao aconchego amoroso dos irmãos (Gálatas 6:1). Alguns, influenciados por uma espiritualidade legalista, consideram que qualquer falta cometida por um irmão (ã), requer uma imediata repreensão e a aplicação de disciplina. Não obstante, a prática espiritual consiste em restaurar aquele (a) que caiu, cuja condição é a mesma colocada por Tiago ao afirmar: …e alguém o converter. Portanto, quem se desviou, deve ser ajudado (a) com vistas a superar essa situação. A ação restauradora deve ser conduzida com espírito de mansidão e não com o espírito de juiz. A mansidão é o oposto do castigo e da violência, aliás, essas duas últimas, são próprias de quem se assenta na cadeira do tribunal para julgar. O cristão carnal é um legalista. Ele vê o desvio do irmão, não como uma queda, mas como quebra de uma norma de comportamento que requer e merece castigo. Julga o seu irmão contrastando-o, não com o Senhor, mas consigo mesmo (Lucas 18.11). Por causa daqueles que exercem esse tipo de conduta, há um número incalculável de cristãos que se distanciaram das suas igrejas, vagando pelo mundo, desconsolados e desolados, porque não encontraram uma mão de graça estendida para eles. Penso que, ao legalista, não deveria ser-lhe permitido falar de amor em suas mensagens, nem afirmar que ama ao Senhor, pois como João disse, não é possível amar Aquele que não se vê, se não amamos aquele que vemos (1 João 4:20).

Moimento de Reflexão: Qual é a sua postura diante de um irmão (ã) que se afastou do evangelho? Conhece alguém assim? Ora por essa pessoa? A obrigação do cristão é ir buscar essa ovelha que se desgarrou e ajuda-la. Pense sobre isso!

Naquele que é o Bom Pastor,

Pr. Natanael Gonçalves

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