Palavra empenhada com juramento – Parte I


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Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim e não, não, para que não caiais em condenação (Tiago 5:12).

Entre os judeus o costume de jurar era muito comum, posto que no meio deles, o hábito de mentir era uma realidade bem presente. O texto de Tiago é idêntico às palavras proferidas por Jesus no sermão do Monte em Mateus 5:33-37. Para compreender a proibição que Tiago estabelece no verso acima, precisamos entender o sentido dos juramentos. Para tal, devemos voltar ao Antigo Testamento onde observamos que a prática de pronunciar um juramento, possui profundas raízes. Abraão, o amigo de Deus, exigiu de seu servo um juramento que o comprometesse a buscar uma esposa para o seu filho Isaque (Gênesis 24.1-3, 8-9). O mesmo Abraão jurou a Abimeleque que cumpriria o seu compromisso com ele (Gênesis 21:22-24). Jacó, o neto de Abraão, exigiu juramento de José, seu filho, que não o enterrasse no Egito (Gênesis 47:29-32). Do mesmo modo procedeu José com seus irmãos, ao aproximar-se da morte (Gênesis 50:24-25).

Em Israel haviam aqueles que mentiam e, por conseguinte, não honravam o que prometiam. Por isso Deus regulamentou na lei, a prática do juramento, estabelecendo que o mesmo deveria ser feito em Seu nome: “Ao Senhor, teu Deus, temerás; a ele servirás, a ele te chegarás e, pelo seu nome, jurarás” (Deuteronômio 6:13; 10:20). Quem quebrava um juramento (perjuro) feito em nome do Senhor, profanava o nome de Deus e infringia o terceiro mandamento do decálogo: “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20:7). A proibição de jurar falsamente aparece também em Levítico 19.12: “nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor”. Aquele que jurava por Deus, se colocava sob maldição em caso de descumprimento à palavra dada sob juramento. Paulo também usou expressões de juramento para confirmar verdades que expressava (Romanos 9:1; 2 Coríntios 1:23; Gálatas 1:20). Um ponto relevante é o fato de que o próprio Deus confirmou Sua promessa, Se interpondo com juramento de Si mesmo (Hebreus 6:16-18).

Alguns comentaristas afirmam que o sistema farisaico daquela época, adotado por algumas pessoas na igreja, buscava uma fórmula que lhes permitisse quebrar uma palavra empenhada ou uma promessa feita, sem incorrer em perjuro. Esse sistema ensinava que, se uma pessoa jurasse não usando o nome de Deus, a quebra desse juramento não seria considerada. Eles usavam alguns textos, tais como o de Levítico 19:12 e outros, para apoiar os seus pressupostos. Dessa forma, qualquer juramento que não implicasse o nome do Senhor, seria considerado como uma promessa de menor valor e não era necessário um cumprimento meticuloso como aquela que era feita sob juramento usando o nome de Deus.

Por fim, aqueles que assimilaram o sistema farisaico e juravam para confirmar suas declarações e compromissos, o faziam usando a fórmula “pelo céu, pela terra e outros juramentos”. Assim, quando faziam promessas sem intenção de cumprir, usavam desta praxe e, segundo criam, não incorriam no pecado de perjuro, porque não usavam o nome de Deus. Tiago quer deter essa prática e por isso diz: não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento. 

Momento de Reflexão: É impressionante o número de cristãos que mentem habitualmente. Acham que uma “mentirinha branca” não faz mal a ninguém e que, às vezes, ela é necessária. Você concorda com isto? Continuamos abordando o tema na próxima publicação.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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