Um confronto à vista.


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Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança (Tiago 5.5).

O lamento dos trabalhadores defraudados não afetou em nada a sensibilidade daqueles ricos, haja vista que, em vez de sentir um peso na consciência, adicionaram ao primeiro pecado de fraude (comentado na publicação anterior), um segundo; o qual consiste no uso de suas riquezas com dissolução e luxo. A expressão “vivestes sobre a terra, e vos deleitastes”, expressa a ideia de uma ação concluída e, neste caso, uma forma de existência entregue aos prazeres. Isto nos faz lembrar da parábola que Jesus contou sobre o filho pródigo, o qual desperdiçou todos os seus bens, vivendo dissolutamente (Lucas 15:13).

Tiago avança mais um passo no texto para marcar uma situação condenável na vida daqueles ricos. Para isto, ele usa uma frase que expressa uma linguagem figurada e que transmite a ideia de uma sensualidade pecaminosa, como podemos observar: “cevastes o vosso coração, como num dia de matança”. A ociosidade e os banquetes haviam engordado aqueles corações, como se tratasse de animais destinados ao matadouro. Observe que eles não haviam cevado a seus corpos, mas seus corações, o qual, no texto acima, representa a vontade e as emoções do homem. Como um animal que se alimenta insistentemente com abundância, levando uma vida fácil com destino ao matadouro, assim também eram aqueles ricos. Esta é a mesma figura usada por Jeremias para referir-se à destruição anunciada sobre o Egito: “Até os seus mercenários no meio dela são como bezerros cevados” (Jeremias 46:21).

O tempo do juízo sobre os ricos opressores e licenciosos se compara ao dia da matança. O autor usou aqui uma forma semelhante àquela utilizada pelos profetas do Antigo Testamento (Isaías 34:6; Ezequiel 21:5). Trata-se do dia da evidente vitória de Deus sobre os seus inimigos e sobre todos os homens soberbos e cheios de vanglória. Esses tais viveram suas vidas com total desprezo ao Altíssimo.

Aqueles que pretendiam viver de forma dissoluta e faziam das riquezas um deus, assim como muitos hoje em dia o fazem, enfrentarão o Juiz de toda a terra. Esse mesmo Juiz, porá um fim a essas perversidades. A vida temporal e licenciosa caminha para uma confrontação com Deus. Sim; um confronto com Aquele a Quem haviam ignorado e desprezado.

Momento de Reflexão: A Bíblia não diz que o dinheiro é um mal em si mesmo, mas que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1 Timóteo 6:10). Esse “amor” perverte os corações e corrompe as mentes. Será que essa condição é admissível na vida de um cristão? De forma alguma. Todavia, muitos, com afã, buscam riquezas e bens materiais. Temos comentado sobre o assunto registrado por Tiago nos primeiros versos do capítulo cinco, no entanto, sugiro como complemento, uma reflexão em 1 Timóteo 6.6-10.

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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