Quem conhece o amanhã?


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Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa (Tiago 4:14).

A arrogância daqueles que planejaram os seus negócios e atividades sem levar em consideração a vontade de Deus, se arrebenta contra a impossibilidade humana de conhecer o amanhã. No texto, Tiago lhes recorda essa ignorância, própria dos homens, dirigindo-lhes especialmente essas palavras: Vós não sabeis o que sucederá amanhã, isto é, ninguém sabe o que o amanhã trará consigo. O termo “não sabeis” indica que aquelas pessoas se vangloriavam do que fariam no futuro, desconhecendo o que poderia suceder a elas. Nas Escrituras lemos a respeito de uma proibição relativa ao dia futuro: Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz (Provérbios 27:1). Alguns já contabilizavam os lucros que supunham alcançar nos dias futuros, confiando que o amanhã seria recheado de realizações e benefícios. Não obstante, cada dia que chega para uma pessoa neste mundo, chega carregado de circunstâncias que não se pode controlar, portanto, é inútil jactanciar-se de um amanhã de sucesso. Aqueles que afirmavam o que fariam ao longo de um ano e em uma determinada cidade, estavam, desde aquele momento, se vangloriando a respeito de algo que não podiam controlar, porque desconheciam.

Tiago, através de uma pergunta retórica, procura fazer-lhes refletir, não sobre o amanhã, mas sobre o presente: que é a vossa vida? Ponderando sobre essa questão, se conclui que o passado é história e não retornará, o presente é o agora e o futuro, desconhecido. Procurando leva-los à realidade sobre a vida, Tiago faz uso de uma metáfora para essa reflexão, comparando-a com uma neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Seu objetivo é afirmar que a vida do homem é breve e, provavelmente, lembrou-se de alguns textos do Antigo Testamento, como por exemplo: Com efeito, passa o homem como uma sombra… (Salmo 39:6a). Porque os meus dias, como fumaça, se desvanecem… (Salmo 102:3a). Por isso, serão como nuvem de manhã, como orvalho que cedo passa, como palha que se lança da eira e como fumaça que sai por uma janela (Oséias 13:3).

Por fim, ao presumirem sobre o dia do amanhã, podemos notar outro erro no parágrafo. Jesus mesmo ilustrou o assunto com a parábola do rico insensato. Aquele homem rico pensava que possuía o controle da vida, dizendo: Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lucas 12:19-20). O futuro é desconhecido para o homem. Não devemos permitir que o incerto entulhe o nosso coração e oriente a nossa conduta. Isso ocorria com os religiosos dos tempos de Isaías que olhavam para o futuro como se dele, tivessem o controle: Vinde, dizem eles, trarei vinho, e nos encharcaremos de bebida forte; o dia de amanhã será como este e ainda maior e mais famoso (Isaías 56:12). Afirmar uma meta para o futuro pode ser uma declaração de fé ou uma manifestação de arrogância, dependendo daquilo que está no coração de quem a formula. No caso daqueles a quem Tiago lhes dirigiu o texto, era claramente uma afirmação arrogante.

Momento de Reflexão: Planejar o futuro buscando a vontade de Deus, não é errado, aliás, é necessário para que haja bons resultados. O erro está em planejar com arrogância e afirmar com soberba sobre o dia do amanhã. O cristão que busca uma vida de intimidade com Deus, terá do Senhor a direção e conselho para planejar segundo o coração do Pai (Salmo 25:12).

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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