O Legislador e Juiz – Conclusão.


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Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo? (Tiago 4:12).

A última parte do versículo, tu, porém, quem és, que julgas o próximo?, confronta diretamente aquele que é maldizente. A pergunta introduz um contraste entre aquele que julga o irmão e o verdadeiro Juiz, que é Deus. A criatura em si mesma, nada é diante do Criador, no entanto, aqui se agrava ainda mais, ao constituir-se em inimigo de Deus, por causa da sua arrogância. Ao usar os termos que julgas”, Tiago equivale a pessoa a um juiz, e assim, ela está usurpando uma autoridade que não lhe pertence. A coisa é grave e perversa por causa daquele que é julgado, isto é, o próximo. É interessante perceber que ele não usa o termo “irmão”, mas o próximo, provavelmente para enfatizar que aquele que julga está em aberta oposição ao mandamento de amar ao próximo (Levítico 19:18). O cristão que se atreve a julgar a seu irmão que também é seu próximo, dá um mal testemunho para o mundo, posto que aqueles que não conhecem a Deus, deveriam ser atraídos pela manifestação do amor fraterno, ou seja, de uns para com os outros (João 13:35).

O pecado de julgar o próximo, manifestado em muitas ocasiões por calúnias e palavras que desprestigiam, é também a manifestação de orgulho e de arrogância. Não há ninguém que não tenha falhas e fracassos espirituais, caso contrário não haveria necessidade de confessar seus pecados a cada dia ao Senhor (1 João 1:8-10).  Não podemos acusar ninguém, uma vez que também somos acusados. Assim, ao invés de assumirmos como juízes dos irmãos, colocando-nos não apenas acima deles, mas também sobre a mesma lei de Deus, deveríamos, como crentes em Cristo, ajuda-los. De que forma? Ajudando-os a superar suas possíveis quedas buscando sempre o caminho da restauração (Gálatas 6:1). Não estamos em condição de julgar os outros, primeiro porque não temos tal missão e, segundo, porque nós também necessitamos a ajuda da graça para nos manter em posição de vitória. Em vez de julgar, devemos amar os irmãos estimulando-os a uma relação mais profunda com Jesus, para que suas vidas sejam transformadas. Isto não significa de modo algum que tenhamos que fechar os olhos ao pecado visível de um irmão, mas, ainda assim, não temos direito algum de julgar-lhe, pois isso, a Palavra de Deus o faz. Se um irmão cai, devemos estar ao seu lado, orando  por ele e ajudando-o para que retorne ao caminho de comunhão e santidade. Assim fazendo, o crente em Cristo, cobrirá uma multidão de pecados (Tiago 5:20).

Há cristãos que sentem um vivo desejo pela Palavra e procuram cumprir o que Deus tem estabelecido. Não obstante, em uma busca da perfeição espiritual, abandonam o amor para com os irmãos em uma equivocada identificação de espiritualidade, embasando-se no que os outros fazem, e não no que são. Ao abandonar o caminho do amor, caem inevitavelmente no caminho do legalismo, substituindo a graça pela intransigência, e a misericórdia pelo juízo. Essas pessoas não podem ser vasos úteis nas mãos de Deus, porque havendo deixado o caminho do amor (1 Coríntios 13:1-3), ficam inabilitados para o trabalho na causa. Estes, por causa da arrogância, estão em oposição a Deus e são resistidos por Ele (Tiago 4:6). Quem quiser viver conforme as Escrituras, ou em outras palavras, cumprir a lei de Cristo, deve trilhar o caminho do amor ao próximo, pois quem ama o próximo tem cumprido a lei (Romanos 13:8; Gálatas 6:2).

Momento de Reflexão: Há quem diga: “Veja, eu estou falando a respeito de fulano, só pra a gente orar por ele”. Essa conversa é como um rastro de pólvora, pois se espalha rapidamente. Mesmo nesse tipo de abordagem existe a difamação, o falar mal, e o destaque para algo ruim. Quem assim procede, assume a cadeira de juiz e, se não houver arrependimento, atrairá a disciplina do Altíssimo. O cristão deve ser conhecido pelo emblema do amor, enquanto reflete Jesus ao mundo. Medite em 1 Coríntios 13!

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves

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