Entendes tu o que lês? – Conclusão


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Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? (Atos 8:30b, 41a).

Depois de algumas considerações anteriores a respeito de Filipe, colocamos os nossos olhos no outro personagem: o eunuco. Lucas acrescenta uma informação importante: o eunuco havia vindo a Jerusalém para adorar (Atos 8:27). De onde viera? O texto diz que ele era mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes. Candace não era um nome, mas um título, tal qual o de Faraó, no Egito. Lucas informa que o eunuco era superintendente de todos os tesouros do reino, talvez uma espécie de ministro da fazenda da Etiópia. Este homem que havia vindo a Jerusalém para adorar, voltava para o seu país. Visto que ele não era judeu, por que teria ido a Jerusalém para adorar? William Barclay diz que naqueles dias, haviam pessoas cansadas e insatisfeitas com a idolatria e a imoralidade. Tais pessoas encontravam no judaísmo a fé em um único Deus e também princípios de uma moralidade austera que lhes dava um sentido de vida. Se alguém se convertia ao judaísmo e praticava a circuncisão, era chamado de prosélito. Se, porém, não chegava a esse ponto, mas assistia regularmente os trabalhos na sinagoga e lia as Escrituras, era denominado de “temente a Deus”.  Alguns pensam que o eunuco se classificava como um homem “temente a Deus”, posto que na sua condição de eunuco, isto é, como um homem castrado, não poderia participar dos ritos judaicos.

Com os olhos da mente voltamos à cena. O ministro da fazenda etíope estava em sua carruagem, lendo o profeta Isaías. Será que ele havia adquirido na livraria religiosa de Jerusalém a Bíblia da época, isto é, o Velho Testamento? Não sabemos nada sobre isso, mas sabemos que lia o profeta Isaías. Talvez, por causa da sua condição, leu antes o texto que consta no capítulo 56, versos 3-5: Não fale o estrangeiro que se houver chegado ao SENHOR, dizendo: O SENHOR, com efeito, me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR: Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. Aquela promessa alegrava o seu coração e, à medida em que lia as Escrituras, seus ouvidos se abriam para ouvir a voz de Deus.

A certa altura, leu: …como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca (Isaías 53:5b). Foi exatamente nesse instante que Filipe se aproxima e faz a pergunta: Entendes tu o que lês? Que oportunidade! Nem todas as situações de evangelismo se apresentam como essa, mas a ocasião era relevante e deveria ser aproveitada. Observe a sabedoria e o discernimento de Filipe. Ele não aborda o eunuco com desafios, mas estabelece uma forma educada e produtiva que visa despertar a atenção do mesmo. Conseguindo o que desejava, recebe uma outra pergunta que parece mais uma súplica para explicar-lhe: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? Ser convidado por alguém que não é cristão, depois de uma pergunta de quinze segundos, para saber a respeito das Escrituras, não é algo habitual. Filipe aproveitou aquele momento e pregou-lhe o evangelho. O resultado foi a conversão e o batismo do eunuco que, certamente, levou as boas novas para o seu país.

O que nos chama a atenção nessa história? Deus conhecia o coração do eunuco e encontrou outro coração disposto a viajar uns cem quilômetros, enfrentando situações difíceis apenas para levar o evangelho a ele. Neste mundo tão pecaminoso, certamente há corações sedentos do Deus verdadeiro. Quem está disposto a ser um Filipe para levar a Palavra a essas almas desejosas de conhecer o Altíssimo?  Reflita sobre o assunto!

Em Cristo, o Pão da vida,

Pr. Natanael Gonçalves

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