Na cadeira do juiz


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Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz (Tiago 4:11).

Ao ler o texto acima podemos perceber que a prática da maledicência era reincidente no meio daqueles cristãos, a quem Tiago escreveu. Ele já havia abordado o assunto no capítulo três (Tiago 3:1-12), mas volta novamente ao tema. Observe que, no texto, os que estão falando mal dos irmãos, são outros irmãos. O falar mal expressa a ideia de difamar, ou seja, falar com o propósito de depreciar a outros. Quem assim procede usa palavras duras de descrédito contra quem não está presente e não pode defender-se. Esta ação representa não apenas o ato de caluniar, mas também uma atitude de covardia, porque a pessoa, alvo de tal língua, não está diante de seu difamador. Por que temos tantas pessoas com essa peçonha sob a língua? Porque existem pessoas para ouvir. Note o que diz Provérbios 18.8: As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre. Para melhor entendimento, as palavras do maldizente são como um veneno que é degustado com prazer. O falar mal é uma fofoca impregnada com a disposição de difamar que o maldizente espalha com satisfação. Neste assunto não dá para contemporizar. É preciso dizer às claras: o cristão que fala mal de outro está sob a influência maligna. Como? Não é fácil dizer isto, mas Apocalipse 12:10, nos informa que Satanás é o acusador dos cristãos.

As consequências da maledicência são graves. Tiago ensina que aquele que fala mal de um irmão se converteu em juiz de tal pessoa. Ele se torna juiz no momento em que condena a seu irmão com a maledicência de sua boca. Assim sendo, quem fala mal de um irmão está falando mal da lei, posto que a lei de Cristo estabelece o amor ao próximo como a si mesmo (Marcos 12:31; Lucas 10:27; Romanos 13:9; Gálatas 5:14; Tiago 2:8). Logo, a pessoa que trilha esse caminho precisa saber que a maledicência é a expressão máxima da falta de amor. Além do maldizente se tornar um juiz sem amor, há, todavia, mais; pois quem exercita a maledicência, despreza seu irmão e, portanto, desconsidera a lei; e não apenas a desconsidera, mas também se coloca acima dela. Desse modo, ninguém pode afirmar que cumpre as Escrituras se usa a sua língua falando mal de outros.  Em contrapartida, o cumpridor da lei régia (Tiago 2:8), é aquele que abraça a Palavra de Deus como regra de fé e prática e se sujeita totalmente a ela.

Finalizando e sedimentando o tema, lembro o ensino do apóstolo Paulo: O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor (Romanos 13:10). O amor é uma expressão absoluta e definitiva da verdadeira fé em Deus e do novo nascimento e, sendo essa uma realidade na vida do cristão, todo mal ao próximo será frustrado (1 Coríntios 13:4-7). Para simplificar: quem ama, não pratica o mal, mas o bem. Por esta razão, o cumprimento da lei é o amor. Por último, é bom lembrar que a igreja precisa reafirmar a urgente necessidade de viver a experiência do amor ao próximo, antes mesmo de enfatizar as verdades da fé, porque estas sem aquela, não passam de um mero discurso religioso.

Momento de Reflexão: A maledicência é vista por muitos como um hábito no seio do povo. É preciso orar e lutar contra esse pecado. Quem fala mal, se faz juiz dos irmãos e usurpa o lugar que pertence a Cristo, o Único Juiz com direito a emitir veredito contra alguém (Hebreus 12:23). Pense sobre isso!

Em Cristo, o Juiz de todos,

Pr. Natanael Gonçalves

 

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