A oração – Parte VIII


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E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (Mateus 6:12). 

Na sequência do nosso comentário sobre a oração, veremos que o perdão do cristão a seus ofensores está firmado, além do que vimos antes, em três razões, ao menos:

  1. Na identificação com Cristo, Aquele que concede o mais amplo e generoso perdão. Quem nasceu de novo, se tornou habitação do Espírito de Deus, logo, essa pessoa vive em Cristo. Se vive em Cristo, é impulsionado pelo Seu Espírito a perdoar como o Senhor perdoou àqueles que o crucificaram: Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes (Lucas 23:34). Como consequência de sua identificação com Cristo, o crente em Jesus é conduzido, inevitavelmente, a uma disposição de perdão. Em seu relacionamento com os irmãos e também com os inimigos, lembra sempre da exortação das Escrituras: Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo (Efésios 4:32). Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também (Colossenses 3:13). O perdão àquele que o ofendeu, torna-se possível por causa dessa identificação com o Senhor: e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Efésios 5:2).
  2. Deus estabeleceu que o cristão deve perdoar. Também determinou que as ofensas cometidas por outros, é um assunto pessoal d’Ele: A mim me pertence a vingança, a retribuição, a seu tempo… (Deuteronômio 32:35). Deixar de perdoar é uma maneira de vingar-se da ofensa recebida, o que contraria também, o ensino do Novo Testamento: não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor (Romanos 12:19).
  3. A terceira razão para perdoar as ofensas, reside no fato do pagamento da inextinguível dívida de amor que paira sobre cada um de nós, cristãos: A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei (Romanos 13:8).

Por fim, para quem se confessa filho do Deus Altíssimo, não se trata de conceder um perdão a alguém que mereça ou não, mas da disposição de outorgar um autêntico perdão aos semelhantes. Sendo essa disposição uma realidade na vida do cristão, quando ele orar confessando e pedindo perdão pelas ofensas cometidas contra Deus, sua oração será ouvida. De modo contrário, a oração feita sem a concessão de perdão aos outros, não subirá aos céus, pois foi impedida pela indisposição ao perdão. Como já disse anteriormente, aquele que não é capaz de perdoar, mas pede perdão a Deus de seus erros e pecados, é um fingido que não pode ser restaurado à comunhão com o Pai. Sua restauração, todavia, somente será possível, se houver um conserto nessa área.

Momento de Reflexão: Acabamos de ver que o tema do perdão na vida do servo de Deus, está assentado em bases que envolvem o seu relacionamento com o seu Senhor. Aquele que se diz cheio do Espírito, mas não possui um coração perdoador, engana-se a si mesmo. Assim sendo, deixo a minha questão para fazer você refletir: Como está a sua relação com Cristo?

No amor de Deus,

Pr. Natanael Gonçalves

 

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Comments

  1. Muito boa a reflexão, porém tenho uma dúvida, temos que perdoar quem não se arrepende ou nos pede perdão? Porque Deus nos perdoa mediante essas condições.

    • Olá querida! Penso que a sua dúvida, pode ser a de muitos. Na relação do homem com Deus é preciso haver arrependimento. Mas, há algumas coisas para considerarmos. Primeiro, só Deus conhece o coração do homem, enquanto o ser humano não conhece o coração do seu semelhante. Segundo, o arrependimento no coração é precedido por uma ação do Espírito Santo que convence o homem do seu pecado. Como essas questões do coração são pertinentes somente a Deus, Ele julga a cada um. Quanto a nós, que não conhecemos o coração de ninguém, devemos perdoar, isto é limpar o nosso coração de qualquer ofensa, mesmo se o ofensor não pedir perdão da sua ofensa. Esse é o nosso papel. Lembremo-nos de Jesus, na cruz, pedindo ao Pai que perdoasse àqueles que o crucificaram e zombaram dele nos momentos antecedentes à sua morte. Estevão, é outro exemplo (Atos 7:60). Devemos perdoar, porque esta é a parte que toca ao cristão. Quanto ao ofensor, se ele pede perdão, mas não se arrependeu do seu erro, isto passa a ser um assunto pessoal do Pai, pois, Ele que conhece os corações, tratará com tal pessoa (Romanos 12:19). Ainda mais algumas coisas: A questão do perdão envolve a área da decisão, da vontade, e não dos sentimentos. Quando a ferida é muito grande, não é fácil a cura. No entanto, temos de decidir por ela, mesmo que seja necessário passar por uma dor maior (Mateus 11:25). Quando há, por parte do ofensor, falta de arrependimento e, não havendo condições de andarem juntos (ofendido e ofensor), o peso da responsabilidade será sempre sobre quem não se arrependeu de fato. Deus é justo e o ofendido ficará livre. Espero ter ajudado. Deus te abençoe querida.

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