A Liberdade Possui Marcas – Parte II


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Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura (Gálatas 6:14-15).

Anteriormente observamos que Paulo apresenta três personagens no término da sua carta. O primeiro deles, o legalista, já foi abordado na publicação anterior. Hoje, no texto acima, vemos o apóstolo ressaltar a pessoa do Salvador.

2) O Senhor Jesus.

Paulo repetidamente volta ao tema da cruz (Gálatas 2:20-21; 3:13; 4:5; 5:11,24; 6:12). “Se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão” (Gálatas 2:21). As feridas do Calvário certamente fazem de Cristo um homem marcado, e essas feridas significam liberdade para todos que confiam nele. Os judaizantes se gloriavam da circuncisão, Paulo, todavia, se gloriava no Salvador crucificado e ressurreto – se gloriava na cruz. Certamente, isso não quer dizer que se gloriava na brutalidade ou no sofrimento da cruz. Não! Ele não considerava a cruz apenas um pedaço de madeira na qual um criminoso havia morrido, mas, antes, olhava para a cruz de Cristo e se gloriava nela. Por que Paulo se gloriava na cruz? Vejamos a seguir:

Ele conhecia a Pessoa da cruz. Jesus é mencionado pelo menos 45 vezes na carta aos Gálatas, o que significa que um terço dos versículos dessa carta contém alguma referência a Ele. A pessoa de Jesus cativava Paulo, e era o Senhor mesmo que tornava a cruz gloriosa para ele. Em seus primeiros anos como rabino judaico, Paulo tinha motivos de sobra para gloriar-se (Gálatas 1:13-14; Filipenses 3:1-10); mas, depois de conhecer a Cristo, toda aquela glória tornou-se em perda ou lixo. Os legalistas não se gloriavam na cruz de Cristo, porque não se gloriavam em Cristo. Era Moisés (e eles mesmos) quem recebia a glória. Não conheciam, verdadeiramente, a Pessoa da cruz.

Paulo conhecia o poder da cruz. Para Saulo, o rabino erudito, a doutrina de um sacrifício na cruz era completamente absurda. Não tinha dúvida de que o Messias viria, mas, em sua teologia, não havia lugar para a ideia de que esse Messias viria para morrer numa cruz maldita. Naqueles tempos, a cruz era o sinal supremo de debilidade e vergonha. No entanto, Saulo de Tarso experimentou o poder da cruz e se tornou Paulo, o apóstolo. A cruz deixou de ser uma pedra de tropeço para ele e se tornou a pedra fundamental de sua mensagem: “Cristo morreu pelos nossos pecados”. Para Paulo, a cruz representava liberdade: liberdade de seu ego (Gálatas 2:20), da carne (Gálatas 5:24) e do mundo (Gálatas 6:14). Pela morte e ressurreição de Cristo, o poder de Deus é liberado para conceder àqueles que creem, liberdade e vitória. Ao nos entregarmos a Cristo, temos vitória sobre o mundo e a carne. Por certo, o sistema legal não é capaz de dar poder algum ao homem para vencer o próprio ego, a carne e a Lei. Muito pelo contrário; a Lei atrai o ego humano (posso fazer algo para agradar a Deus) e estimula a carne nessa direção. O mundo, por sua vez, não se importa se somos “religiosos” ou não, desde que deixemos a cruz de lado. Na verdade, o mundo aprova a religião, mas sem o evangelho de Jesus Cristo. Desse modo, o legalista infla seu ego, satisfaz sua carne e agrada o mundo; enquanto o verdadeiro cristão crucifica os três.

Paulo conhecia o propósito da cruz. Esse propósito era para formar no mundo um novo “povo de Deus”. Durante séculos, a nação de Israel havia sido o povo de Deus, e a Lei, o seu modo de vida. Tudo isso era uma preparação para a vinda de Jesus (Gálatas 4:1-7). Uma vez que Cristo viera e consumara sua grande obra de redenção, Deus colocara a nação de Israel de lado, começando no mundo uma “nova criação”, e uma nova nação, o “Israel de Deus”. Isso não significa que Deus tenha terminado sua obra com a nação de Israel. Desde então, Deus está chamando tanto judeus quanto gentios, a fim de constituir “um povo para o Seu nome” (Atos 15:14), e, em Cristo, não há qualquer distinção racial ou nacional (Gálatas 3:27-29). No entanto, Paulo ensina claramente que há um futuro para a nação de Israel dentro do plano de Deus (Romanos 11). Um dos propósitos da cruz era formar uma “nova criação” (Gálatas 6:15). Esta nova criação é a Igreja, o corpo de Cristo. A “velha criação” remete a Adão e a seu fracasso, a nova criação, porém, cuja cabeça é Cristo, à vitória.

Para os romanos, Paulo explicou a doutrina dos dois “Adões”, isto é: Adão e Cristo (Romanos 5:12-21). O primeiro Adão desobedeceu a Deus e trouxe ao mundo o pecado, a morte e o juízo. O Último Adão (1 Coríntios 15:45) obedeceu a Deus e trouxe vida, justificação e salvação. Adão cometeu um só pecado e trouxe juízo sobre toda a criação. Em sua morte na cruz, Cristo realizou um ato de obediência e pagou por todos os pecados do mundo. Por causa do pecado de Adão, a morte reina no mundo, mas pela vitória de Cristo, podemos “reinar em vida” por meio de Jesus (Romanos 5:17). Em outras palavras, o cristão pertence a uma “nova criação”, uma criação espiritual livre de qualquer defeito ou limitação da “velha criação” (2 Coríntios 5:17).

Outro propósito da cruz era criar uma nova nação, “o Israel de Deus” (Gálatas 6:16). Trata-se de um dos vários nomes para a Igreja no Novo Testamento. Jesus disse aos líderes judeus: O reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos (Mateus 21:43). Pedro identifica essa nação como família de Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa” (1 Pedro 2:9). Como já mencionado, isso não significa que a Igreja substitui em caráter permanente a nação de Israel no plano de Deus, mas apenas que a Igreja é “povo de Deus” na Terra hoje, da mesma forma que Israel era em outros tempos.

Que repreensão para os judaizantes! Eles desejavam levar a Igreja de volta à Lei do Antigo Testamento, quando, na verdade, nem a nação de Israel havia sido capaz de observar a Lei. Essa nação foi colocada de lado a fim de dar lugar ao novo povo de Deus, a Igreja! Os cristãos de hoje podem não ser “filhos de Abraão” segundo a carne, mas são “descendentes de Abraão” pela fé em Cristo Jesus (Gálatas 4:28,29). Experimentaram a circuncisão do coração, muito mais eficaz do que a circuncisão física (Romanos 2:29; Filipenses 3:3; Colossenses 2:11). Por esta razão, nem a circuncisão nem a falta de circuncisão são coisa alguma para Deus (Gálatas 6:15; 5:6).

Finalizando, Jesus é para você tudo o que Ele era para o apóstolo dos gentios?

Na próxima publicação chegaremos ao fim do estudo desse maravilhoso livro de Paulo aos Gálatas.

No amor de Cristo e no poder da cruz,

Pr. Natanael Gonçalves

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