A Liberdade Possui Marcas – Parte I


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Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne (Gálatas 6:12-13)

1 – O Legalista

O apóstolo Paulo não tem nada de bom a dizer sobre os legalistas. Ele o descreve de quatro maneiras:

São arrogantes (versos 12a e 13b). Seu principal objetivo não é ganhar almas para Cristo nem ajudar os cristãos a crescerem na graça, mas sim ganhar mais convertidos para gloriar-se deles. Embora, interiormente seus motivos sejam maus, desejam, no entanto, causar uma boa impressão aos olhos de todos. Por outro lado, não trabalham para o bem da igreja e nem para a glória de Deus, mas somente para a própria glória.

Apesar de não ser errado desejar ganhar almas para Cristo ou ver a obra do Senhor crescer, sem dúvida alguma, é errado desejar essas bênçãos apenas para glorificar a si mesmo. Desejamos ver mais pessoas participando de nossos cultos e igreja, não porque queremos contá-Ias e anotar o número, mas simplesmente porque pessoas são importantes para Deus. É preciso, porém, ter o cuidado de não “usa-las” a fim de promover interesses egoístas e a própria exaltação.

São persuasivos (verso 12a). O verbo obrigar ou constranger em outras versões, dá a ideia de persuasão intensa e até mesmo força, mas não ao ponto de obrigar contra a própria vontade. Isto indica que os judaizantes eram muito persuasivos e convenciam os cristãos da Galácia de que o legalismo era o caminho que deviam seguir. Sempre que Paulo apresentava a Palavra, ele o fazia de modo verdadeiro e sincero, ou seja, sem truques ou palavras persuasivas de sabedoria humana (você pode ver a forma de Paulo apresentar a Palavra a seus ouvintes, em 1 Coríntios 2:1-5 e 2 Coríntios 4:1-5. Note que Paulo não era um político, mas sim um embaixador). 

São condescendentes (verso 12b). Por que pregar e praticar a circuncisão e suas respectivas implicações? A resposta é: para escapar da perseguição. Paulo foi perseguido porque pregava a graça de Deus e a salvação sem as obras da Lei (Gálatas 5:11). Os judaizantes se faziam passar por cristãos aos membros da igreja e por seguidores da Lei mosaica aos que observavam a Lei. Consequentemente, eles evitaram a perseguição que costumava vir somente sobre aqueles que se identificavam com a cruz de Cristo.

Nossa tendência é ver a cruz (e a crucificação) de maneira sentimental. Usamos cruzes na lapela ou em correntes ao redor do pescoço. Mas, para um cristão do primeiro século, a cruz não era um adorno; antes, era o tipo de morte mais desprezível e humilhante. Um cidadão romano educado nem mencionava esse assunto em conversas sociais, pois a cruz representava desprezo e vergonha. Quando Paulo aceitou a Cristo, se identificou com a cruz e assumiu as consequências dessa identificação. Para o judeu, a cruz era uma pedra de tropeço, e para os gentios, era loucura (1 Coríntios 1:18-31). Os legalistas, que enfatizavam a circuncisão em lugar da crucificação, granjeavam muitos adeptos. Sua religião era bem aceita, pois evitava a vergonha da cruz.

São hipócritas (verso 13). “Querem que vocês se sujeitem à Lei, quando eles próprios não guardam a Lei.” Os judaizantes pertenciam ao mesmo grupo que os fariseus, sobre os quais Jesus disse: “porque dizem e não fazem” (Mateus 23:3). Claro que Paulo não está sugerindo que os judaizantes deveriam guardar a Lei, pois tal observância não era possível nem necessária. Antes, o apóstolo os condena por sua desonestidade, já que não tinham intenção alguma de guardar a Lei, mesmo que pudessem. Sua reverência à Lei era apenas um disfarce para encobrir sua verdadeira intenção: ganhar mais convertidos para sua causa. Desejavam reportar grandes estatísticas para receber mais glórias para si mesmos.

Uma nota para você! Os legalistas são facilmente identificáveis. Depois de detectados, devem ser evitados.

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves

 

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